Volátil Pinacoteca

Feio, bobo e cara de mamão

Posted on: dezembro 15, 2010

Existe uma certa competição na Internet pelo prêmio de pessoa mais insuportável da rede. Aquele que mais bloqueia no twitter, mais desperta comentários raivosos no blog. E não falo de algo inerente: as pessoas querem ser chatas. Quando eu comecei a acessar a Internet, lá pelos anos 90 e antigamente, as pessoas pelo menos se esforçavam na cortesia e em escrever textos que não pingassem veneno. Hoje, bradam com todo o orgulho que adoram ser detestados. Exibem o prêmio de personalidade mais chata da Internet do You Pix como se fosse um Nobel. O que mudou no meio do caminho que eu perdi?

Assistindo as aula da Computador & Sociedade, tive contato com alguns conceitos que me ajudam a entender o fenômeno. A pirâmide de Maslow, que mostra as necessidades do ser humano, diz que chega um certo ponto da nossa existência onde já temos segurança no básico (comer, beber, morar) e que precisamos de estímulos para basicamente continuar vivendo sem enlouquecer. Além disso, a experiência da prisão de Stanford é um bom exemplo de como introjetamos os papéis que nos são dados, como nos adaptamos a eles e acabamos vendo-os como verdade. Podemos ir mais longe, começar a citar Jung, comportamentos paranóides, mas como eu estou longe de entender de psicologia, vou me resignar ao contexto em que posso dar pitaco sem falar grandes bobagens.

Do alto da minha sabedoria de 24 anos de vida e poucas noites de bar, continuo achando essas coisas todas muito estranhas. Muitas sessões de análise foram gastas pra eu deixar de chorar no cantinho quando alguém faz aquele comentariozinho maldoso. Por que a gente aprende muito cedo que o mundo é dos mais fortes e que as pessoas não são legais (opiniões, opiniões). E aí que alguns resolvem transformar essa casca em vantagem competitiva.

Gente que repete demais que sabe que é chato, que fica com um brilho no olhar quando é chamado de estranho, nada mais são que pessoas que tomaram demais na cabeça por tentarem ser iguais. E aí vão reunindo essas raivinhas todas e criando um personagem. Dá-lhe block, banições e rastreamento de IP. E assim vai criando a fama. Mas pessoalmente eu tenho uma preguiça fenomenal desse tipo de comportamento. Por que, em outras palavras, o que está sendo dito é “eu sou melhor do que vocês, por que eu sou chato pra caralho e tu continuas aqui, batendo boca comigo, querendo a minha atenção, sou-chato-mas-tô-na-moda“. Roooooooooonc.

Haters gonna hate. Eu não convivo com pessoas que são puro ódio, pelo menos não as que eu convivo por opção.Por que na Internet eu iria querer me rodear de gente assim? Desculpaê, eu quero ser amada, eu gosto de ser querida, gosto de elogios e críticas construtivas, sensação de fazer parte do grupo, sabe, sentimentos que as pessoas offline costumam gostar. Eu fico sim, putíssima com crítica pela crítica, com dedo na ferida, e esse tipo de coisa não desperta desejos de vendetta em mim: desperta desejos de Häagen-Dazs de praliné.

Então eu prometo que esse será um blog que em certos (muitos) momentos abrigará ironia e mau humor, mas não abrigará esse ódio besta, premeditado e estudado. Talvez eu despeje meus sentimentos, talvez eu ofenda algumas pessoas, mas estarei tentando ser fiel ao que eu acredito que sou. Sem me obrigar a ser polêmica ou chata, sem defecar regra.

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