Volátil Pinacoteca

Minha história com a TI

Posted on: abril 13, 2011

Esse post é para participar da Blogagem Coletiva do GT Feminino Livre, um grupo de mulheres envolvidas com Tecnologia e Software Livre, que pretende promover discussões sobre assuntos que motivam a participação feminina na Tecnologia da Informação. Tive o prazer de conhecer a Paloma e a Luciana ontem e me empolguei pra postagem. Vou contar um pouquinho da minha história com computadores e como eu cheguei até aqui.

Meu pai é analista de sistemas. Daqueles que tem orgulho da profissão e conta milhares de vezes como era programar com cartões perfurados. Meu pai trabalhava na RFFSA e eu adorava que ele me levasse para ver o CPD. Obviamente, eu não tinha idéia do que a sigla queria dizer, mas era mágico ver de tantas máquinas grandes.  Adorava também ver computadores desmontados – lembro de pensar que as placas eram cidades em miniatura, onde as informações de dentro do computador moravam.

Sim City imaginário

Cheguei a ter um video-game, um Phantom System, que foi devidamente vendido quando o computador chegou em casa. Era pra ser ótimo: o computador faria tudo que o video-game fazia e muito mais. Mas, além de não ter Super Mario, o computador era algo meio inacessível. Minha vó morava comigo e dizia que eu ia “quebrar o computador do meu pai”. Eu ligava o computador escondida, morrendo de medo de fazer bobagem e quebrar tudo, mas a tentação era maior.

O sistema era Windows 3.11 e tinha que passar pelas assustadoras letras soltas em cima da tela preta do DOS. As janelas amigas não me assustavam – algo azul-ursinho-carinhoso assim não poderia me fazer mal – mas aquela tela preta me dizia que eu ia quebrar alguma coisa, que eu ia queimar tudo, principalmente depois de uma matéria sobre vírus que eu vi em algum programa de TV (acredito que era Fantástico). A maldita tela preta com letras subindo, e a voz de Cid Moreira lendo: SEU COMPUTADOR CONTÉM NADA. Eu tinha uma grande certeza que, hora ou outra, eu ia fazer meu computador conter nada, mas eu continuava ligando o computador pra brincar.

pior que o bicho-papão

Quando chegou o Windows 95, eu já era maiorzinha e menos assustada e, gostava de brincar no Creative Writer e nos joguinhos do Windows. E eu já tinha o meu próprio Kit Multimídia. Fiquei tão emocionada quando ganhei que escrevi no meu diário, com canetas coloridas. E, com isso, comecei a colecionar a Revista do CD-Rom. Sério mesmo, essa revista formou o caráter de muitos geeks com seus milhares de demos de programas e jogos. Eram tempos de pouco acesso à internet e, quando existia, era discada e lenta. Essa revista era o nosso passaporte para jogos caros e difíceis de conseguir, por um preço baixo e ali, na banca do bairro. É culpa dela eu ter descoberto a Lucas Arts com seus clássicos Day of The Tentacle, Monkey Island e meu preferido forever, Afterlife.

te dedico

Falando em Internet, lá pelos meus 11 anos tive meu primeiro contato com o mundo mágico da web. Usando o Netscape e acessando o site da Turma da Mônica. Até que fui crescendo e descobrindo o chat do Terra, o IRC e fiz meu primeiro blog. Devia ter uns 13 anos e fiz o layout sozinha, usando o FrontPage e desbravando os códigos JavaScript que faziam estrelas saírem do mouse e mids tocarem quando um incauto entrava na página. Era o supra-sumo da tecnologia.

Fiz mais algumas dúzias de páginas na minha adolescência, entre blogs e sites, aprendi a mexer no Photoshop e até aí, meus contatos com Linux eram parcos. Meu pai comprava a Revista do Linux, que vinha com “aqueles CDs idiotas que não tem jogos” e que eu colocava no leitor e obviamente não reagiam. Tentar ler um CD do boot de Linux de dentro do Windows não era uma atitude muito sábia.

A primeira distro em que mexi foi Red Hat, achei muito quadradão, sem contar que tinha que mexer muito em linha de comando e eu tinha enterrado o trauma, mas não superado (vou estragar, vou estragar, vou formatar essa merda toda e acabar com tudo), então o melhor era voltar pras minhas janelas azuis amigáveis.

chapéu quadradão

Enquanto tudo isso ia acontecendo, eu ia me metendo em algumas instalações de redes que meu pai fazia. Puxar cabo ajuda a formar caráter. Acho que é por isso que hoje em dia eu me viro bem pra levar máquinas de um lado pro outro. E também por isso que eu acabei decidindo por fazer Ciência da Computação. Numa época cheia de dúvidas, o computador sempre foi uma certeza na minha vida. Passei meu terceiro ano estudando que nem louca e entrei na UFRGS no segundo semestre.

No primeiro semestre, antes de entrar propriamente na faculdade, trabalhei como “tia da informática” em uma escola. E lá tive meu primeiro contato de verdade com Linux, principalmente fuçando nos servidores da escola e acompanhando a migração do laboratório, que tinha dual boot e os alunos costumavam implorar, aos berros, pelo Windows. Acredite, é bem difícil dizer não pra uma turma de adolescentes gritando. Mas pelo menos uma vitória acontecia: Mozilla Firefox, uma novidade, em todas as máquinas.

O Firefox foi amor à primeira vista. Eu não me lembro como fiz o download pela primeira vez, parece que ele esteve sempre ali.  Sempre usei Firefox, desde sua primeira versão, assim como peguei uma alergia incurável ao IE. Usava Firefox no Windows e Linux. Aliás, com o passar da faculdade, fui migrando pro Linux também, que uso até hoje primordialmente, apesar de usar muito Windows pra jogar (todos jogos originais e quase todos do Steam, outra invenção muito boa). E perdi meu medo de linha de comando!

Falando em jogar, eu sou uma péssima jogadora, mas não desisto. Além de jogar no PC, tenho um Play2, um Play3 e um PSP. Roubo o iPhone do namorado pra jogar (se bem que estou prestes a comprar um pra mim). E escondi todos os games até terminar a monografia.

E aí que eu conheci o pessoal da Mozilla no primeiro FISL que eles participaram e me tornar parte da comunidade foi algo natural. Era um software que unia meu amor pela web e liberdade, me dava escolhas e opções vastas. Entrar pra Mozilla Brasil foi simples: encontrei as pessoas no FISL, conversamos e no dia seguinte eu já estava fazendo planos pra ajudar e ganhando um espacinho no servidor. Cheguei com muita vontade de trabalhar, energia e uma dose bem grande de simpatia e fui recebida com três vezes mais simpatia e vontade de ajudar. Essa reciprocidade que é bacana na Mozilla (e no SL como um todo): venha com boa-vontade e energia positiva. A comunidade reagirá com a mesma energia e o trabalho desenvolvido será muito legal.

muito amor

Tão vendo aquele bichinho ali no meu colo? Sim, é de pelúcia, óbvio. Ganhei da Mary Colvig e da Mitchell Baker no FISL, quando entrei pra Mozilla. Quase tive um ataque histérico e comecei a chorar. É muita fofura. E ele não é um guaxinim, como os meninos diziam na época! Ele é uma raposinha de fogo.

E agora, quase me formando em Ciência da Computação, trabalho com Engenharia de Performance, um ramo que junta meu lado programadora e a vontade de fazer programas completos e seguros, originados da dose de neurose que deve vir lá da infância e do meu medo de quebrar o computador. Hoje, eu quebro muitos sistemas para testá-los, mas em ambiente seguro, para não deixá-los quebrar em produção.

Essa é a minha história com a Tecnologia da Informação. O caminho que me levou a ser uma menina da informática: cresci sendo uma geek com todas as possibilidades que os anos 90 puderam me proporcionar. E ainda tenho muitos bits a serem interpretados na minha jornada com a tecnologia.

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