Volátil Pinacoteca

Archive for the ‘Opiniões’ Category

Tô dizendo que a Síndrome de Aragorn é ampla e ataca quem a gente menos espera. Esse gato das fotos? Draco Malfoy. Quem diria.

Saiu na revista The HF de setembro todo trabalhado na magia (pun intended).

O tudo de bom Jason Momoa (aka Khal Drogo, aka my sun and stars) vai fazer o novo Conan. Nem curto as histórias do Bárbaro, e ele vai usar delineador de novo, mas como disse a Tati Sehn, ele pode usar até rímel que a gente nem se importa.

Pode ficar aí paradinho sendo bonito

Mas o mais bizarro disso tudo é que a pouco tempo, o senhor Momoa não era assim bonito. Ele usava dreadlock, que me desculpem, mas é um ninho de rato enrolado na cabeça. E ele fazia Stargate Atlantis. Eu via Stargate Atlantis. E não achava nenhum cara desse seriado bonito. E ele fez Baywatch Hawaii, onde era mais um forçudinho aleatório. Meu deus, meu deus.

Basicamente, o Jason Momoa sofre do que eu chamo de Síndrome de Aragorn. O cara suado, raivoso da batalha, sujo e desgrenhado e tá lindo, tá desejo e magia. Toma banho e vira um qualquer coisa.

vai ali matar uns seres do mal e volta depois que a gente conversa

É triste dizer, mas querido Khal Drogo, continue interpretando somente homens bárbaros com delineador nos olhos. De banho tomado, pode voltar pra Malhação, beijos.

Depressão é ver os termos mais pesquisados para chegar ao seu blog e descobrir que um deles é “jogos de poker com putas“.

 

atributos pra distrair o adversário

A pessoa vai lá, escreve um blog tentando colocar marcas pessoais, textos interessantes, agregar conteúdo, ilustrar. As pessoas entram nele procurando joguinhos adultos com moças que trabalham com entretenimento privê.

Vida de merda.

Que o Charlie Sheen tá tocando um foda-se épico em cima do mundo inteiro já é notícia antiga. A novidade é que os Gregory Brothers,  os caras que fizeram a Bed Intruder Song (we’re gonna fiiind you, we’re gonna find you) e outros clássicos do autotune, pegaram várias das entrevistas que o herdeiro de Adônis andou dando e fizeram uma canção muito vencedora:

I’m a total freaking rock star from Mars
Winning!

As entrevistas originais são do Good Morning America e Today Show. Muita gente fica dizendo mimimimimi que horror, como pode ele ter tanto dinheiro, ele ser tão filho da puta, mimimimimi. Sem dúvida que ele é um enorme filho da puta, mas ninguém fez essa pataquada quando ele bateu na mulher, o que sinceramente é muito pior do que ele torrar os muitos milhões de dólares que ele ganhou trabalhando do jeito que bem entender.

Ah, mas tem tanta gente passando fome no mundo, um idiota desses com todos esse dinheiro. Isso é problema da nossa sociedade, da forma como ela é organizada, não do Charlie Sheen.

Quer dar festas com strippers, quer cheirar até o nariz cair, problema dele. E quando ele diz que se alguma das meninas que estavam na casa dele passaram mal é problema delas, bem, ele está certo. Todo mundo sabe que nas festas do Charlie Sheen tem sexo desenfreado, todo mundo sabe que ele é um ricaço egocêntrico, todo mundo sabe que drogas fazem mal, então esse surto de compaixão com as pobres meninas que se drogaram que nem loucas perto do winner é bem idiota. Pra mais que, como eu disse antes, quando ele bateu na ex-mulher a América fez a egípsia e continuou adorando Two and a Half Men.


Tem meninas que se dizem feministas e que estão enchendo o saco também. Oh que horror, ele levou três mulheres pra dar pra ele ao mesmo tempo, mulheres não são objetos, mimimimi. Alguém pensou que elas também quiseram ir pra lá e dar alucinadamente do Charlie Sheen (e muito provavelmente umas pra outras também)? I choose my choise e, se essa foi a escolha delas, beleza. Me preocupa muito mais que o salário das mulheres ainda é menor que os dos homens, os casos de estupro todos os dias, a cultura que faz com que mulheres trabalhem e cuidem da casa sozinhas em muitos lares do mundo. Isso não é escolha. Dar pra quem quiser, inclusive pro Charlie Sheen, é escolha.

Deixem o cara ser vencedor e parem de moralismo barato. Enquanto ele estiver só torrando a grana dele, não é problema de mais ninguém. Metade do mimimi é inveja. Favor voltar a se preocupar se ele bater em mais alguém ou fizer alguma outra merda que prejudique a vida de outras pessoas sem que elas tivessem a chance de dizer não.

Winning!

Hoje é Dia de São Patrício, padroeiro da Irlanda e que usava um trevo de três folhas, blablabla whiskas sachê  leia o resto na Wikipedia ou veja esse vídeo fofinho aqui:

Dentre todas as definições que já ouvi, a minha preferida é a do meu pai: “Dia de São Patrício é quando os irlandeses ficam todos borrachos”.

Desculpa pai, desculpa Brasil.  Não são só os irlandeses. Estarei encaminhando minhas orações em forma de pints de cerveja verde hoje no Lagom Brewpub (pub de cerveja artesanal ali na Bento Figueiredo, bacaníssimo, mas os ingressos antecipados já esgotaram).

Não deixe de prestar sua homenagem ao nosso padroeiro no dia de hoje. Afinal, se é verdade o que dizem, que Deus proteje os bêbados e as criancinhas, pode contar que há grande influência de St. Patrick para que essa proteção seja forte.

Eu nem ganho pra fazer propaganda por aqui, mas olha, eu sou uma pessoa super legal e bacana e gosto de dividir tudo que há de bom no mundo com os meus amiguinhos. E esse picolé que eu vou falar agora não é meramente um doce. É felicidade no palito, sem um pingo de duplo sentido.

Conheci os sorvetes da Diletto por que a Vulgo, marca hypada aqui de Porto Alegre, colocou freezers deles nas suas lojas. Meu namorado, diretor de arte, ficou indócil pela embalagem: era bonita demais pro produto não ser bom. Tinha que ser bom. Era promissor demais. Só que acabávamos nunca indo na Vulgo, acabamos esquecendo. Até que nos deparamos com o freezer verdinho no Boubon Country, escondido lá na área dos congelados. Não tivemos dúvidas: Framboesa pra mim, Sorbet de Chocolate de Origem pra ele.

Sabores: clica que aumenta

Sabe quando você sente fogos de artifício explodindo nas papilas gustativas? Sabe quando se sente dentro de um desenho animado, que dá vontade de sair pululando e gritando hip hip hurra? Os picolés da Diletto tem gosto de antigamente. Não é gosto de infância: eu fui criada com picolés Yopa e Kibon, que tem pérolas do gosto artificial do naipe de Exagelado e picolé de Chambinho. É gosto de uma época que eu não vivi, gosto de sorvete feito em casa, gosto de cuidado e pitadas de alegria. A embalagem com o urso feliz também ajuda muito: tem um charme vintage sem ser boboca.

O site da Diletto é feito em flash e tem música tocando no fundo, mas é tão querido, tão meigo, tão amor que a gente perdoa. Tem todos os pontos de venda lá. Garanto que pelo menos na rede Bourbon e na Vulgo têm.

Se ainda não provou, faça esse favor pra si mesmo e prove. Não é sempre que felicidade vem tão fácil, empacotada de um jeito tão bonito.

ATUALIZADO: os sabores mudaram, o cardápio atualizado está nesse post.

Fiquei devendo meu post de review do Set Up, o curso de humor da leva dos expressos de verão da Perestroika. Me animei a fazer o Set Up por que o Poker4Dummies foi muito bom. Apostei certo: o curso foi muito bacana e, apesar dos insistentes avisos do Felipe Anghononi (nosso professor, escritor de roteiros de humor e integrante da Balalaika) de que esse não era um curso engraçado, eu ri e me diverti à beça em todas as aulas.

Andy Kaufmann: gênio

O curso basicamente aborda uma tentativa de classificação dos gatilhos de humor, que o Felipe foi desenvolvendo ao longo dos anos. Basicamente, a gente vai aprendendo a responder algumas perguntas:

  • Onde está o núcleo do humor?
  • Onde está a graça?
  • Quando e como a gente ri? Por quê?

Com isso, tivemos três aulas “teóricas”, cheias de conceitos, vídeos e exemplos, pra treinar o cérebro no que é engraçado, mas quase que com um olhar “de fora”. Não estávamos mais simplesmente rindo, mas entendendo o que nos fazia rir, ou o que poderia fazer outras pessoas rirem, ou onde era pra ter graça mas ficou meio fail. A quarta aula teve participação do Nando Viana e do Marcos Piangers, nos mostrando referências e preferências pessoaispra ajudar a ampliar a nossa forma de ver humor.

Remi Gaillard: bonitinho, mas ordinário

Dá pra concluir que fazer humor não é a mesma coisa que falar bobagem. Demanda trabalho, referências, pesquisa. O cérebro dá um nó, a idéia que parecia genial não desenvolve, você vai, volta e sente as engrenagens da cabeça funcionando a mil até que a piada surge. Ás vezes boa, outras nem tanto, mas ali, trabalhada, autoral.

Falar muito mais que isso sobre o curso é dar spoilers imperdoáveis. Além do que, eu poderia entregar a matéria todinha aqui que nunca seria a mesma coisa que a experiência de assistir as aulas, guiadas por um professor que entende do que está falando e cercado de colegas na mesma vibe. Chris Anderson fala disso no Free, esse é um exemplo mais do que nítido que ele está certo.

Se eu puder dar um ponto de início para alguém, falaria os dois caras que ilustram esse post: Andy Kafmann, clássico, genial, rebelde, sempre buscando e buscando mais. E o Remi Gaillard, um francês maluco, exemplo de um humor sem noção, que é quase uma intervenção urbana, parece totalmente espontâneo de tão natural.

Talvez o Set Up não tenha me transformado em humorista, mas acendeu a chama. De mera interessada, passei a entusiasta. Fiquei com vontade de criar e conhecer mais. Abrir os olhos – e o cérebro – pra novos conceitos é difícil, mas deixa a vida muito mais interessante. E divertida, claro.


Um blog sobre tudo, nada ou o que me der na telha. Volátil.

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